Pobreza – Blog Action Day
Lembro de dois momentos da minha vida que me ensinaram muito: um deles foi quando cortaram a água da casa dos meus pais, quando eu tinha uns 15, 16 anos; o outro foi um dia que tive que ir dormir com fome!
Foto por kindgott
Foi um tempo ruim, de vacas magras, muito diferente de quando eu era criança. Lembro da vergonha de ter todos os vizinhos olhando para nós enquanto o pessoal da SABESP parava o carro na frente de casa e entrava para colocar um cadeado no registro. Além disso, abrir a torneira e não sair nada é bem ruim… alguém aí lembra dos tempos do racionamento de água aqui em São Paulo?
Tivemos que pedir para a vizinha para “pegar água emprestada” e, depois de uma gambiarra do meu pai, conseguimos encher a caixa d’água para as maiores necessidades. Eu não lembro bem como foi, mas meu pai resolveu o problema uns dias depois, já que o empréstimo de água da vizinha deu uma ajuda e ele conseguiu juntar um dinheiro para acertar as contas de água atrasadas.
Depois disso, meu pai foi verificar o por que de as contas de água terem ficado tão caras de uma hora para a outra e, por fim, descobriu que a dona SABESP estava cobrando água industrial lá em casa, só porque havia um galpão lá no fundo, onde meu pai fazia um ou outro serviço de serralheria. O valor do metro cúbico era absurdamente mais caro do que o valor cobrado para as casas, em geral e, por isso, não dava para pagar as contas como sempre pagávamos… fomos ressarcidos, mas a experiência ficou.

Foto por Bruno. C.
Eu devia ter uns 12 ou 13 anos, não mais do que isso. Nós não passávamos necessidades, mas também não esbanjávamos dinheiro adoidado, simplesmente tínhamos uma vida sossegada. Mas naquela noite fatídica não tinha nada para comer! Não estou brincando, simplesmente não tinha NADA em casa e meus pais estavam já estavam dormindo e não iriam acordar para comprar alguma coisa para um bando de muleque mimado. Eu e meus irmãos estávamos com fome e não tinha uma bolachinha, um pãozinho, um tomate, uma cebola, um ovo, uma bala, nada, nada, NADA! Não tinha nem dinheiro para a gente pedir uma pizza… e olha que tinha uma pizzaria quase na frente da nossa casa.
Lembro que fui dormir com fome e o sono não vinha, eu rolava de um lado para o outro, pensando em comida, das mais diversas e saborosas possíveis e o sono não vinha, só o cansaço e a fome que ficavam me cutucando! Enfim, o cansaço ganhou e eu consegui dormir de barriga vazia… no outro dia, acordei e minha mãe já tinha ido na padaria![]()
Comi como um ogro e fiz o máximo para encher a pança e nunca mais me lembrar de passar uma noite de fome daquelas…
Mas por que eu estou lembrando disso? Porque hoje é o Blog Action Day e o tema é: Pobreza!
Não, meus exemplos não têm nem um pouco de mérito para serem considerados momentos de pobreza, mas servem para me lembrar que, apesar de ter vivido sempre uma vida tranqüila e ter passado por “perrengues”, nunca passei por momentos de dificuldade de verdade.
A gente não pára muito para pensar nas comodidades que temos em nosso dia-a-dia: luz, água, saneamento básico etc. e, muitas vezes, nem ligamos mais quando vemos algum morador de rua pedir esmola na rua. Esse tipo de situação já é corriqueiro aqui em São Paulo, em todo farol tem alguém pedindo moedas, jogando bolinhas ou pauzinhos para nos entreter em troca de uma esmolinha… é, tem muita gente que pensa assim. PÁRA! Alguma coisa está errada… com você!
Não é assim que tem que ser, não tem que haver esse sentimento de conformismo com uma situação dessas! Você pode, de alguma forma, ajudar essas pessoas e não precisa ter dinheiro para isso, não! Você tem aquela blusa que usou uma vez, no ano passado e que está esperando aquela data para usar de novo? Mas, para falar a verdade, você até que não gosta tanto dessa blusa (ou calça), mas um dia vai ter a oportunidade de usá-la de novo, não? NÃO, você não vai usar de novo… e se usar, vai ser só mais uma vez e depois, pronto, já “não está mais na moda”. Enquanto isso, ela ficou ocupando sua gaveta, seu guarda-roupas, enquanto poderia ter feito alguém feliz (e, muitas vezes, mais quente).
Eu sei que é difícil abrir mão de nossas coisas, mas vale a pena quando é para ajudar alguém, mesmo que esse alguém seja uma pessoa desconhecida, que você nunca vá ver e que nunca saiba quem você é. Agora, se você tem alguns milhõezinhos aí no seu bolso, sem fazer nada, toma vergonha na cara e vai ajudar alguém![]()
Aproveite o dia de hoje para ver tudo o que você pode doar para alguma instituição de caridade! Pense hoje, amanhã, depois e depois… crie esse hábito e não o deixe nunca de lado. Pode parecer algo muito pequeno para ajudar tantas pessoas necessitadas, mas se cada um de nós fizer isso uma vez por ano, seremos 36.966.527 paulistas (fonte: City Brazil) ajudando pessoas mais necessitadas. Se metade desse pessoal fizer isso uma vez por ano, bom, já deu para ter uma idéia de quanta gente pode ser ajudada, não?
Não deixe de ajudar alguém por achar que você não tem dinheiro para tanto. Ajude do jeito que der, seja com uma roupa usada ou com uma simples conversa e atenção para quem necessita!
Enfim, estou fazendo minha parte… e você, já pensou em como fazer a sua?
Até mais!
Eu aprendi: que toda vez que estou me sentindo injustiçado, em dificuldades e com diversos problemas, eles se tornam bem menores quando lembro de quem mora nas ruas de São Paulo e do mundo… reclamo menos e ajudo mais!


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