Onde está a Ilha Desconhecida?
Estou passando por um período bem esquisito da vida. Me formei em biologia em dezembro de 2005, comecei a trabalhar como técnico de informática em fevereiro de 2006, comecei a fazer meu mestrado em Ensino de Ciências em janeiro de 2007, quis virar blogueiro profissional (problogger) em agosto de 2008 e estou completamente perdido em 2009. Minha noiva disse que eu preciso assistir o filme Marley & Eu
porque ela acha que eu sou como o cara, porque tenho idéias boas, mas não acredito em mim mesmo. Mas eu acredito em mim, só não sei prá onde vou…
Imagem alterada de Hamed Saber
Em dezembro de 2006, meu orientador me deu um livro de Natal: O Conto da Ilha Desconhecida (José Saramago). Li… e, simplesmente descobri que sou eu. Busco essa ilha desconhecida a cada momento do dia e, sempre que penso que a achei, lá estou eu, procurando novamente. Sinto dificuldade em viver cada segundo separadamente, quero todos eles ao mesmo tempo! Na internet, não consigo me concentrar muito tempo em uma coisa: mexo no Flash
, no Photoshop
, leio blogs, leio emails, converso no msn, acompanho o twitter e perco o foco, o tempo todo. Agora mesmo, eu estava terminando umas imagens para um site que estou fazendo (e ainda estão me enrolando para começar a pagar) e me deu a louca de escrever… só que, antes, eu estava lendo o blog do Luli, que foi meu professor de fotografia digital lá na ECA. Eu li o post dele que fala sobre textos sobre design, área pela qual me interesso muito, mas que não sei se levo jeito. Venho buscando descobrir quem sou há alguns anos e isso se intensificou depois de eu conversar várias vezes com a minha noiva e ela me mostrar como eu sou desorganizado, por conta disso, eu reclamar que sempre estou sem tempo para fazer – e terminar – tudo que tenho que fazer. Claro que eu termino várias coisas que começo, mas muitas delas, projetos pessoais ou até freelas na faixa para amigos, eu acabo não terminando. O dos amigos, eu até entendo: estou meio cansado de trampar de graça para outros sem um fim mais nobre, caritativo; mas meus bons projetos, minhas idéias geniais… loser! Comecei a me sentir pior comigo mesmo depois de ter lido o post do Marco Gomes – Campanha: Programar é Grátis – uma vez que eu provavelmente escreveria alguma groselha daquelas que escreveram para ele, justificando a minha própria falta de compromisso para com minhas idéias. Conheci o Marco Gomes no BlogCamp SP 2008 e, para mim, naquele momento, ele não passava de um nerd (eu ainda não conhecia o significado de geek), mas hoje eu o admiro por sua determinação e não tenho mais a mesma impressão preconceito que tive. Deixo claro que comecei a mudar meu pensamento desde então e, realmente, estou começando a terminar minhas pendências e desenvolver um joguinho em Flash
, até o fim.
Outro cara que eu admiro é o Jonny (do InfoPod e do Decodificando), mas esse eu já conheço desde que entrei na faculdade. Ele que mantinha o site do centro acadêmico da Biologia da USP. Acabei de perguntar prá ele se ele que tinha desenvolvido o site e ele disse:
“sim…
desenvolvi ele inteiro, desde a 1a versão, em 1997″
Aliás, ele que me ensinou os primeiros passos de programação… PHP, desde um echo até variáveis e tal. Acho que nunca agradeci a ele por isso, mas fica aqui meu agradecimento público
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Well, Manuel, onde é que você quer chegar com isso???
Quero saber quem sou! Quero saber prá onde vou! Digo, eu sei quem sou e normalmente sei prá onde vou, mas eu gostaria de ter um pouco mais de certeza naquilo que sei fazer, do que gosto de fazer, de algo que eu realmente curta muito fazer e que possa fazer disso algo de sustento, algo que eu possa trabalhar horas e mais horas e não sentir o tempo passar, como quando a gente está com a pessoa amada… o tempo voa e tudo o que a gente mais quer é que ele pare e e que o momento não acabe nunca…
Sei que provavelmente irei para Londres no segundo semestre e lá ficarei, com minha noiva (ela já será minha esposa até lá) durante o doutorado dela. Tenho até algumas propostas de freela em Flash por lá, mas estou em dúvidas se faço um doutorado também. A vida acadêmica vem me mostrando só a sua face horrível e tenho percebido que não é muito agradável trabalhar e tocar um mestrado concomitantemente. Vivo de “favores” dos meus chefes para poder cursar as disciplinas durante o horário “costumeiro” de trabalho (de manhã ou de tarde), mas mesmo compensando esse período de aula à noite, fica o clima de “favor” no ar, mesmo o regime CLT pelo qual fui contratado deixe claro que eu posso trabalhar, inclusive, em regime de plantão, contanto que sejam feitas 40h de trabalho escravo semanais.
Bom, o importante de tudo isso é mostrar prá vocês como é que eu funciona esse cérebro que vos escreve. A partir de uma simples divagação sobre um texto lido em um blog, pronto: uma tempestade de idéias borbulham e fervilham aqui dentro…
E aí, só eu que sou assim???

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